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A Alagamares-Associação Cultural vem juntar-se aos muitos munícipes e visitantes de Seteais que se deparam com o acesso aos jardins e miradouro encerrado pugnando por uma solução intermédia que não prive por tempo indeterminado os visitantes duma das mais belas vistas do Delicious Éden.
É sabido que o Hotel foi para obras por cerca de 1 ano. Contudo, e dentro dum critério de segurança e não perturbação, afigura-se poder ser criado um percurso que sem colidir com as obras não tire aos muitos visitantes de Sintra o panorama ímpar da vista quer para o palácio quer para a várzea, num dos enquadramentos mais conhecidos e mais belos de Sintra. Algo que se afigura que o IGESPAR e a Câmara Municipal podem supervisionar e acertar com o Grupo Espírito Santo, concessionário do Hotel.
Temos tido conhecimento do desagrado pela situação, pelos muitos mails que nos têm sido enviados, alguns de escolas secundárias que vieram de propósito para visitas desde o interior. O Grupo Espírito Santo, que inclui a rede de hotéis Tivoli, é apenas concessionário do palácio. Urge repor a legalidade. Muitos sintrenses lutaram durante dois séculos para que permaneça franco o acesso. As obras em curso, com as devidas medidas de segurança, são perfeitamente compatíveis com a continuidade das visitas.
Relembramos as palavras de Emília Reis no blogue de João Cachado Sintra do Avesso http://sintradoavesso.blogspot.com/:
Existe um passado histórico deste local que José Alfredo da Costa Azevedo nas Velharias de Sintra tão bem recorda que devemos exigir seja respeitado. Escreve ele que, já em acta de reunião de câmara de 9 de Agosto de 1800 pode ler-se: “Povo de Cintra não consentais que se feixe o campo de Senteais”.
Como achega, lembro ainda que, discretamente, aquando de algumas obras efectuadas no princípio dos anos noventa, o acesso ao espaço onde se situa o chamado “Penedo da Saudade” situado nas traseiras do palácio e de onde podia contemplar-se a soberba paisagem que dali se disfruta, TAMBÉM DO DOMÍNIO PUBLICO TAL COMO O CAMPO, foi fechado com portão e grades. Hoje, os visitantes, para para poderem faze-lo teem que subir, à vez, a um acanhado banco de pedra que ali não está para esse efeito.
Num nível inferior, o edifício circular, outrora o pombal, contemporâneo do palácio, ficou na mesma ocasião sem o telhado que, até hoje, não voltou a ser reposto.
Desejamos que seja cumprida a obrigação 4ª. da escritura de aforamento de 1801 que diz expressamente que: “as sobreditas portas francas e publicas do referido gradeamento do mesmo campo que derem serventia para a entrada e sahida do dito paceio publico serão construidas de tal forma que sem dependência alguma possam entrar e sahir por ellas todas as pessoas que delle se quizerem servir e utilizar, sem nunca em tempo algum estarem fechadas com chave, ferrolho, cadeado ou outro fecho semelhante”,- perfeitamente conciliável com uma estratégia de segurança das pessoas que visitam aquele espaço?
Foi para que este direito lhes não fosse negado que se bateram os habitantes da Vila de Sintra em 1801, 1897 e 1934, apoiados pelos respectivos presidentes da Câmara da altura. Não se trata de um capricho ou de uma embirração. Trata-se de honrar, também, a vontade daqueles que nos precederam. Só como curiosidade adianto que, através da acta da reunião da Câmara de 6 de Outubro de 1897 ficamos a saber que, a Comissão que representou os habitantes da Vila que se insurgiram contra a tentativa desse ano foi constituida por alguns dos mais importantes comerciantes da altura, entre eles o fundador da Papelaria Camélia e, também, o dono do Hotel Nunes, um dos fundadores da Sociedade União Sintrense e, até, o que era nesse tempo o administrador do Palácio da Pena - (José Alfredo da Costa Azevedo cita-os todos pelos seus nomes nas Velharias de Sintra II ). Em 1934 o próprio José Alfredo interveio e conta que chegaram a tocar o sino a rebate só por ter constado que o acesso ao Penedo da Saudade estava vedado com uma cancela.
Ora, o acesso ao Penedo da Saudade já o perdemos na década de noventa por ocasião de obras, também efectuadas pelo actual concessionário do Hotel, nas traseiras do palácio. O espaço foi, nessa altura, ajardinado e fechado com portão e grades. Quanto à fraca participação e apatia dos cidadãos, também isso me deixa muito triste. Mas, só se pode defender aquilo que se CONHECE e se AMA... A Alagamares escreveu no seu blogue em 4 de Maio, a propósito da pouca participação dos portugueses em associações cívicas ou outras, o seguinte: “Democracia não pode ser só formal. Depois não se queixem! O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo”.
A recente aprovação pela Assembleia Municipal de Sintra de uma moção exigindo a reabertura do espaço público poderá ajudar a ultrapassar a questão, não obstante os supostos entraves técnicos que estão por demonstrar. Mantenhamo-nos atentos e reivindicativos. Sintra é dos e para os sintrenses.
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