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A Alagamares-Associação Cultural, de Sintra vem juntar-se aos muitos munícipes e visitantes de Seteais que se deparam com o acesso aos jardins e miradouro encerrado pugnando por uma solução intermédia que não prive por tempo indeterminado os visitantes duma das mais belas vistas do Delicious Éden.
É sabido que o Hotel foi para obras por cerca de 1 ano. Contudo, e dentro dum critério de segurança e não perturbação, afigura-se poder ser criado um percurso que sem colidir com as obras não tire aos muitos visitantes de Sintra o panorama ímpar da vista quer para o palácio quer para a várzea, num dos enquadramentos mais conhecidos e mais belos de Sintra. Algo que se afigura que o IGESPAR e a Câmara Municipal podem supervisionar e acertar com o Grupo Espírito Santo, concessionário do Hotel.
Temos tido conhecimento do desagrado pela situação, pelos muitos mails que nos têm sido enviados, alguns de escolas secundárias que vieram de propósito para visitas desde o interior. O Grupo Espírito Santo, que inclui a rede de hotéis Tivoli, é apenas concessionário do palácio. Urge repor a legalidade. Muitos sintrenses lutaram durante dois séculos para que permaneça franco o acesso. As obras em curso, com as devidas medidas de segurança, são perfeitamente compatíveis com a continuidade das visitas.
Existe um passado histórico deste local que José Alfredo da Costa Azevedo nas Velharias de Sintra tão bem recorda que devemos exigir seja respeitado. Escreve ele que, já em acta de reunião de câmara de 9 de Agosto de 1800 pode ler-se: "Povo de Cintra não consentais que se feixe o campo de Senteais".
Desejamos que seja cumprida a obrigação 4ª. da escritura de aforamento de 1801 que diz expressamente que: "as sobreditas portas francas e publicas do referido gradeamento do mesmo campo que derem serventia para a entrada e sahida do dito paceio publico serão construidas de tal forma que sem dependência alguma possam entrar e sahir por ellas todas as pessoas que delle se quizerem servir e utilizar, sem nunca em tempo algum estarem fechadas com chave, ferrolho, cadeado ou outro fecho semelhante",- perfeitamente conciliável com uma estratégia de segurança das pessoas que visitam aquele espaço?
Foi para que este direito lhes não fosse negado que se bateram os habitantes da Vila de Sintra em 1801, 1897 e 1934, apoiados pelos respectivos presidentes da Câmara da altura. Não se trata de um capricho ou de uma embirração. Trata-se de honrar, também, a vontade daqueles que nos precederam. Só como curiosidade adianto que, através da acta da reunião da Câmara de 6 de Outubro de 1897 ficamos a saber que, a Comissão que representou os habitantes da Vila que se insurgiram contra a tentativa desse ano foi constituída por alguns dos mais importantes comerciantes da altura, entre eles o fundador da Papelaria Camélia e, também, o dono do Hotel Nunes, um dos fundadores da Sociedade União Sintrense e, até, o que era nesse tempo o administrador do Palácio da Pena - (José Alfredo da Costa Azevedo cita-os todos pelos seus nomes nas Velharias de Sintra II ). Em 1934 o próprio José Alfredo interveio e conta que chegaram a tocar o sino a rebate só por ter constado que o acesso ao Penedo da Saudade estava vedado com uma cancela.
Ora, o acesso ao Penedo da Saudade já o perdemos na década de noventa por ocasião de obras, também efectuadas pelo actual concessionário do Hotel, nas traseiras do palácio.
A recente aprovação pela Assembleia Municipal de Sintra de uma moção exigindo a reabertura do espaço público poderá ajudar a ultrapassar a questão, não obstante os supostos entraves técnicos que estão por demonstrar. Mantenhamo-nos atentos e reivindicativos. Sintra é dos e para os sintrenses.
Nestes termos vimos convoca-los para um encontro com a imprensa e associações culturais e cívicas de Sintra, e amantes da cultura em geral, no dia 18 de Junho de 2008 pelas 18.30h nos jardins da Quinta da Regaleira, em Sintra, onde um grupo de cidadãos empenhados na defesa do património sintrense fará o ponto da situação do movimento pela reabertura dos portões e serão dadas explicações sobre o assunto.
Informações para o mail info@alagamares.net
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